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País: Brasil
Cidade: Governador Valadares
Município: Governador Valadares
População Brasil:169 799 170 hab.
Populaçao Município: 247 131 hab.
(48% homens, 52% mulheres) |

CONTEXTO E PROBLEMA
Governador Valadares (Brasil), localizada às margens do Rio Doce, no estado de Minas Gerais, enfrenta graves problemas de emigração e desemprego. No município, existem numerosos terrenos privados e públicos vazios e se dispõe de grandes áreas de lagoas e lagos com potenciais produtivos para a criação de peixes. Atualmente, 90% do consumo hortícola do município provem de outros municípios. O governo local, em colaboração com outros atores urbanos, busca promover a Agricultura Urbana, apoiando a instalação de hortas e pisci-granjas, que beneficiarão a mais de 9 mil famílias em 15 bairros.
A Consulta Urbana “Otimização de espaços vazios para a AU” promoveu a segurança alimentar, a governabilidade participativa municipal e o planejamento e gestão participativas. Para isto, identificou-se os espaços disponíveis e promoveu-se a sua utilização, direito de uso assegurado e acesso como fins produtivos.
A Consulta forma parte de um processo regional de colaboração entre 3 cidades: Governador Valadares (Brasil), Rosário (Argentina) e Cienfuegos (Cuba) e é apoiado pelo IPES (Lima), pelo PGU-ALC e pelo Centro Internacional de Pesquisas para o Desenvolvimiento (CIID-Canadá)
“Este ano pode contar as vezes que comprei verdura para casa. Tiro tudo da minha horta. Quando estou mexendo lá, esqueço de tudo”
Sr. Hermes de Paula Ferreria, morador do Baguari
CONSULTA URBANA
Setembro 2002 – Maio 2003
Elaborou-se um diagnóstico que permitiu construir e analisar a informação existente em 5 bairros selecionados pelo projeto. Obteve-se informação sobre as características de seus habitantes e sobre as áreas vazias. Também foi revisada e analisada a normativa relacionada ao Programa Municipal de Hortas Comunitárias, assim como outras leis vinculadas à arborização municipal, à saúde e à criação de animais, que poderiam ser aplicadas para o desenvolvimento de atividades de AU.
Elaborou-se um mapa de uso-do-solo para cada bairro selecionado, identificando-se, com um Sistema de Informação Geográfica (SIG), os distintos espaços vazios e levantando-se, em seguida, através de um diagnóstico rápido e participativo, informações sobre a agricultura familiar de “fundo de quintal” (tipos de cultivos, práticas de produção, uso de solo, etc.).
Junho – Dezembro 2003
Organizou-se um Fórum Municipal de AU e Segurança Alimentar com a participação de mais de 100 representantes comunitários e de distintos departamentos municipais, que levou à formulação de um Plano de Ação municipal para a promoção de AU e da Segurança Alimentar, o qual propõe a criação de um Programa Municipal de AU e a implementação de distintos projetos.
“Sem plantas e animais a gente não vive”
Luciléia Maura, moradora de Baguari
OBJETIVO DA INTERVENÇÃO
Estudar e otimizar os espaços públicos vazios para a Agricultura Urbana (AU) através de planos participativos, planejamento e gestão para promover a segurança alimentar e a governabilidade participativa municipal.
PLANO DE AÇÃO
O Plano de Ação propõe:
- A implementação de hortas comunitárias, institucionais e domiciliares para a produção de hortaliças, frutas e plantas medicinais.
- A capacitação com base na agroecologia, para melhorar a inserção de mulheres e jovens produtores no mercado, bem como sua renda.
- A elaboração de propostas normativas para a incorporação da AU no Plano Diretor Municipal e criação de um Programa Municipal de AU.
A criação de instrumentos legais (os quais estão sendo discutidos
- atualmente na Câmara Municipal) que facilitem o acesso e o uso dos espaços vazios, áreas verdes publicas e ambientes aquáticos com finalidades produtivas.
METODOLOGIA E INSTRUMENTOS
- Contextualização da informação básica: Formu-se uma equipe multidisciplinar que realizou uma revisão bibliográfica em distintas bases de dados existentes (Arquivo Municipal, IBGE, etc.).
- Seleção da zona de estudo: Utilizando uma matriz com critérios de seleção, identificou-se 5 bairros de intervenção (de localizações urbanas, peri-urbanas e rurais, contexto sócio-econômico e presença de áreas com uso produtivo potencial).
- Definição da tipologia e estudo do potencial de AU: O Diagnóstico Rápido Participativo para AU (DRPAU) permitiu incorporar o conhecimento dos atores locais envolvidos no processo, utilizando questionários, mapas de prédios, croquis de lotes e outras técnicas estatísticas. Através do SIG, gerou-se um Mapa de Uso do Solo baseado na informação do Zoneamento Ambiental Rural, na Base Cartográfica de Dados, no Cadastro Municipal e em fotos aéreas e de satélites.
- Oficinas participativas para apresentar e compartilhar informação: Permitiram mobilizar as comunidades envolvidas, apresentar e consolidar os mapas gerados a partir do SIG e do DRPAU e acordar um olhar comum.
- Elaboração do Plano de Ação: Um Encontro Municipal permitiu mobilizar os atores para construir uma proposta de inserção da AU nos espaços vazios, mediante o uso de instrumentos do Planejamento Estratégico Participativo.
RESULTADOS E IMPACTOS
- A elaboração participativa de mapas e a construção de uma tipologia para a classificação dos usos do solo permitiram identificar uma superfície de aproximadamente 36% da área urbana com potencial para a AU. Deste total, 17% representa espaços de lotes vagos e quintais e 11% representa espaços aquáticos e as respectivas laminas do Rio Doce e das 8 lagoas localizadas dentro do perímetro urbano.
- Cerca de 500 famílias de setores populares participaram diretamente do processo de diagnóstico, identificando a situação atual, a qualidade do solo e os conflitos potencias gerados pelo seu uso para AU.
- A Pastoral de Criança, a Associação de Hortas Comunitárias e a Associação dos Sem-Casa fortaleceram suas capacidades na execução de projetos e na articulação cm líderes comunitários e de bairros, ampliando sua compreensão sobre AU e Segurança Alimentar.
- A Universidade do Rio Doce e a Doce Rio Consultoria fortaleceram suas capacidades de pesquisa participativa, melhorando sua articulação com a sociedade civil.
- Instalou-se 13 hortas comunitárias, 1 feira de produtores familiares e formou-se a ACOMUT – Associação das Hortas Comunitárias.
O Plano de Ação elaborou, de forma participativa, diretrizes e recomendações praticas para a inclusão da AU nos Programas e Políticas Municipais.
- Incorporou-se a AU ao Plano Diretor de Cidade.
- Para promover o desenvolvimento de atividades produtivas, o Município acordou reduzir o IPTU – Imposto Predial Territorial Urbano – para lotes vazios destinados à AU.
- O Programa de AU forma parte da Secretaria Municipal de Meio-Ambiente, Agricultura e Abastecimento.
LIÇÕES APRENDIDAS
- A consulta Urbana deu visibilidade à presença de uma grande diversidade de espaços vazios com potencial para a AU, que constituem uma fonte de recursos para o desenvolvimento econômico local. Também identificou-se o potencial dos espaços aquáticos para a criança de peixes e para a produção de certos cultivos.
- Distintos atores do poder público puderam comprovar que a AU é um elemento articulador entre distintas secretarias municipais e diversas temáticas (como por exemplo, segurança alimentar e temas ambientais), oferecendo a possibilidade de rever o Plano Diretor da cidade, gerando propostas de urbanização para setores pobres e desenhando políticas que articulem a provisão de infra-estrutura às políticas ambientais, de produção, abastecimento e geração de emprego e renda.
“Eu não consigo ficar sem plantar umas coisinhas. A minha velha morreu mas eu continuo plantando. Criamos nossos filhos comendo tudo daqui”.
Sr. Sebastião, morador do bairro São Pedro.
PERSPECTIVAS DO PROCESSO
- Espera-se criar o Conselho Municipal de Segurança Alimentar, que deverá contribuir com propostas para melhorar a atual normativa Municipal que promove a AU.
- Busca-se contribuir também através da experiência de Governador Valadares, com a Campanha Nacional do Fome Zero, através da Comissão Regional de Segurança Alimentar e do Conselho Estadual de Segurança Alimentar.
PRODUTOS
- Relatório histórico e da atual ocupação do espaço urbano, bem como das estratégias de acesso e uso do solo, considerando as diferentes relações sociais.
- Mapa de uso do solo municipal e mapas de uso das áreas intra-urbanas, peri-urbanas e rurais de abrangência do projeto.
- Informe metodológico, sistematizando o processo.
- Plano de ação participativo visando à inclusão da AU nos programa e políticas municipais e no processo de ordenamento territorial.
Propostas e convênios de instrumentos de cessão de terrenos que garantam a segurança de seu uso para a AU.
- Anteprojeto de Ordem para a isenção parcial do Imposto Predial Territorial Urbano para terrenos privados cedidos a AU.
- Informe sobre a incorporação da AU no Plano Diretor.
- Informe de Constituição do Fórum Municipal de AU e Segurança Alimentar.
- Proposta contendo o desenho urbanístico de dois tipos de espaços vazios (incorporando tanto o desenho visual como a descrição narrativa de seu uso)
- DVD e vídeo do processo e programa de AU em três idiomas (espanhol, inglês e português).
PESSOAS DE CONTATO
José Luis Cortes Gama
Prefeitura Municipal de Governador Valadares
Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Agricultura e Abastecimento
Governador Valadares MG – Brasil
E-mail: sema.agricultura@valadares.mg.gov.br
Ivana Cristina Lovo
Professora da Universidade Vale do Rio Doce (UNIVALE)
Faculdade de Ciências, Educação e Letras. Núcleo de Biológicas.
Governador Valadares MG – Brasil
E-mail: nucleobio@universia.br / iclovo@uai.com.br
PGU-ALC / UN-HABITAT / UNDP
García Moreno 751 entre Sucre y Bolívar
Telefax: 593 2 2583 961 / 2282 362 / 2282 371
E-mail: pgu@impsat.net.ec
Quito, Ecuador
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