Edição Nº 12 - Maio de 2004
Gênero e Agricultura Urbana |
Editorial: Dimensão de Gênero e Agricultura Urbana (PDF)
Gênero,
agricultura urbana e política - um testemunho(PDF)
Como um grupo de mulheres organizadas conseguiu que o prefeito de
Marondera, no Zimbábue, solicitasse ao autor que identificasse
áreas na cidade para a prática da agricultura, e como
as conseqüências foram bem além do que todos imaginavam.
A
questão do gênero na agricultura urbana na Grande Gaborone, Botsuana (PDF)
A agricultura urbana na Grande Gaborone tem um caráter predominantemente
comercial, pois a maior parte da produção é
vendida nos mercados da cidade. Ela não emergiu como uma
resposta às condições de carência dos
pobres da cidade, mas antes como uma conseqüência planejada
de um ambiente político e econômico favorável.
Três dimensões fundamentais da agricultura urbana na
Grande Gaborone a tornam um interessante caso a ser estudado e muito
rico em aspectos que levam a novas percepções sobre
as relações de gênero: ela é predominantemente
comercial; ela é reconhecida formalmente; e dela participam
homens e mulheres em quantidades praticamente iguais. Esse artigo
oferece uma visão geral das conclusões de pesquisas
realizadas na Grande Gaborone.
Agricultura
urbana em Rosário: oportunidade para a igualdade de gênero (PDF)
Esse artigo é um resumo adaptado de uma pesquisa-diagnóstico
sobre os papéis e funções das mulheres na agricultura
comunitária na cidade de Rosário. O estudo foi realizado
em outubro de 2003 por representantes dos setores de emprego, mulheres,
e agricultura urbana do Departamento de Promoção Social
da Prefeitura de Rosário e da ONG Rima.
Nossa
realidade diária: hortas domésticas urbanas orgânicas em Lima, Peru (PDF)
Lima
é conhecida tradicionalmente como a "Cidade Jardim"
(Niñez, 1985). Entretanto, a julgar pela atual falta de áreas
verdes, é difícil imaginar como ela ganhou esse título.
Praticar agricultura no deserto peruano, com uma precipitação
pluvial de 25mm, é uma tarefa difícil. As pessoas
desenvolveram várias estratégias para irrigar seus
plantios usando as águas do rio Rimac e água encanada.
Em Lima, a agricultura urbana tem muitas faces.
Quando
as mulheres decidiram cultivar suas hortas (PDF)
Lima é conhecida historicamente como a Cidade Jardim. Entretanto,
a julgar pela atual falta de áreas verdes, é até
difícil imaginar como ela ganhou essa fama. Cultivar a terra
no deserto peruano, com uma precipitação anual de
25mm é muito difícil. As pessoas desenvolveram uma
série de estratégias para irrigar suas colheitas,
usando as águas do rio Rimac e água encanada. Conseqüentemente,
a agricultura urbana tem muitas faces em Lima. Os meios de vida
dos agricultores urbanos são muito dinâmicos, e as
atividades desenvolvidas pelos diferentes membros da família
mudam rapidamente.
O processo de urbanização e a redução
da população rural no Peru avançaram dramaticamente
nos últimos 60 anos. Hoje, quase ¾ da população
peruana vive em áreas urbanas e periurbanas. Como resultado,
os recursos e serviços que as cidades devem oferecer a seus
moradores, como saúde, educação, emprego, acesso
a comida e à água saudável, saneamento etc.,
estão sendo crescentemente super-demandados e à beira
da ruptura. A agricultura urbana cresceu rapidamente nas últimas
décadas na região metropolitana de Lima, trazida principalmente
pelos migrantes. Esse contexto levou a Associação
por Recursos para o Desenvolvimento a promover o plantio de hortas
comunitárias, na região sul da cidade como um meio
de combater a fome e a nutrição insuficiente. O trabalho
da ARD focaliza o aspecto “gênero em desenvolvimento”,
através do qual é feito um esforço para analisar
os papéis e as necessidades dos homens e das mulheres de
modo a fortalecer essas últimas.
Gênero
na horticultura em áreas irrigadas urbanas em Gana (PDF)
Como em muitas cidades dos países da África Ocidental,
os homens dominam na agricultura praticada em espaços abertos
urbanos de Gana, principalmente na produção irrigada
em grandes áreas livres. A natureza pesada de muitas tarefas
típicas da produção agrícola, como a
limpeza do terreno e o revolvimento da terra, é a principal
razão dada pelos agricultores (tanto homens quanto mulheres)
para explicar por que os homens dominam nas atividades desse setor
da economia informal das cidades ganenses. Verificou-se que as mulheres
dominam o setor da comercialização dos produtos da
agricultura urbana, e isso é em parte devido à tradição
do país, no qual o comércio é em geral trabalho
de mulher, mas também por que as mulheres ganenses percebem
a venda de alimentos como mais lucrativa e menos arriscada do que
a produção agrícola.
As
mulheres na agricultura urbana na África Ocidental (PDF)
Tradicionalmente, em muitas sociedades da África Ocidental,
as mulheres cultivam hortaliças nativas em volta de suas
casas. Entretanto, nos países de colonização
francesa dessa mesma região, as hortaliças típicas
do clima temperado da Europa foram introduzidas nos países
durante a era colonial, e os prisioneiros e soldados franceses (todos
homens) eram obrigados a plantá-las. Esse artigo descreve
os resultados de dois estudos na África Ocidental, focando
na produção de hortaliças nativas praticada
pelas mulheres.
Gênero,
água e agricultura urbana (PDF)
A pobreza urbana é um problema crescente. Cerca de 70% dos
pobres do mundo são mulheres, muitas das quais viúvas
ou mães solteiras, com a responsabilidade de alimentarem
seus filhos e anciões. A produção de alimentos
em pequena escala como parte de um conjunto de oportunidades é
vital para a sobrevivência dos mais pobres e portanto especialmente
das mulheres pobres das cidades. O clima social, cultural e econômico
da cidade molda os modos pelos quais homens e mulheres podem usar
a agricultura urbana e se beneficiar dela. Os dois estudos referidos
neste artigo fornecem uma análise de gênero rudimentar
como base para se discutir como a agricultura urbana beneficia de
fato as pessoas mais envolvidas nela.
Capacitando
as mulheres para acessarem mercados na periferia urbana (PDF)
Na periferia das cidades costumam ocorrer grandes mudanças
nos meios de vida e no uso da terra. A expansão das cidades,
estimulada pela globalização e privatização,
vem colocando riscos crescentes para os meios de vida existentes
bem como oportunidades para o surgimento de novos meios de vida
voltados para os empregos e mercados urbanos. Os tomadores de decisões
nos órgãos governamentais urbanos e rurais e nas agências
de desenvolvimento precisam reconhecer essas mudanças que
já estão ocorrendo, e responder de modo a garantir
que elas produzam oportunidades para novas formas de sustento para
os pobres periurbanos e rurais. Este artigo discute algumas práticas
recentes que abrem muitas e amplas possibilidades para os pobres
e para as mulheres.
Mulheres
e agricultura periurbana na zona de "Niayes", no Senegal (PDF)
A zona periurbana dos Niayes, no Senegal, tem uma longa tradição
de horticultura comercial e produção de frutas e flores
em combinação com a criação de animais
em pequena escala, voltadas para os mercados urbanos e também
para o auto-consumo. Poucas pesquisas foram feitas sobre as questões
de gênero na agricultura do Senegal. Neste artigo, o papel
das mulheres na agricultura periurbana nos Niayes do Senegal é
descrito, baseado em estudos de caso, indicando-se as limitações
e as necessidades a serem atendidas em futuras pesquisas.
Mulheres
na agricultura periurbana senegalesa: o caso de Touba Peycouck (PDF)
No Senegal, a agricultura urbana cresceu rapidamente em resposta
à natureza frágil da segurança alimentar nas
cidades e para atender as necessidades de uma população
urbana em rápida expansão. O acesso inadequado à
terra, a insegurança quanto à posse da terra, e a
carência de água e de estrume tornam a agricultura
urbana cada vez mais difícil, particularmente para as mulheres
cujo acesso à terra e ao capital é ainda mais limitada
por uma série de fatores socioeconômicos.
Dimensão
de gênero da agricultura urbana comercial em Lagos, Nigéria(PDF)
A alta taxa de pobreza entre os lares urbanos, as responsabilidades
de prover o pão familiar recaindo cada vez mais sobre as
mulheres, e o potencial da agricultura urbana para ajudar a melhorar
a segurança alimentar dos pobres são os fenômenos
que tornaram essa prática uma atividade crucial hoje em Lagos.
Entretanto, o acesso inadequado à terra, a falta de implementos
adequados e a carência de água para irrigação,
entre outros problemas, continuam sendo obstáculos para o
uso de práticas agrícolas mais eficientes. As mulheres
tendem a ser mais severamente afetadas por esses problemas e, conseqüentemente,
elas predominam nas atividades agrícolas urbanas menos lucrativas.
Infelizmente, as iniciativas esperadas para reduzir as disparidades
de gênero nos processos de produção comercial
de alimentos, aumentar os lucros das mulheres e estimular que elas
poupem e invistam, permanecem na fase inicial. Esse documento analisa
criticamente a peculiaridade dos desafios de gênero na produção
urbana de alimentos em Lagos, e oferece algumas considerações
na área de políticas públicas.
Integração
de gênero nas políticas municipais: agricultura urbana em Port Harcourt,
Nigéria (PDF)
A integração da dimensão de gênero nas
intervenções do planejamento melhora os programas
e as políticas públicas, especialmente aquelas voltadas
para os pobres das áreas urbanas. O planejamento do uso da
terra urbana e o envolvimento do aspecto do gênero são
questões importantes na Nigéria, atualmente, ligadas
à utilização efetiva das terras urbanas. Dentro
e ao redor da cidade de Port Harcourt, as áreas até
há pouco agrícolas estão sendo substituídas
por atividades de desenvolvimento tipicamente urbanas ou industriais,
especialmente empreendimentos imobiliários e exploração
de óleo mineral (?). Nesse processo, a inabilidade dos planejadores
urbanos em atender as crescentes necessidades dos produtores urbanos,
especialmente das mulheres que produzem hortaliças frescas
e frutas perecíveis, é visível e precisa ser
revertida.
Criação
urbana de animais e gênero em Adis Abeba, Etiópia (PDF)
A produção urbana de animais desempenha um papel substancial
na segurança alimentar dos moradores das cidades. Mesmo assim,
os criadores urbanos de animais recebem pouca atenção
em termos de políticas favoráveis ou de apoios institucionais
e técnicos que atendam suas necessidades. Na Etiópia,
as mulheres são responsáveis pela produção
de 70% dos alimentos de origem animal. O processamento do leite
e as atividades de comercialização são trabalhos
feitos principalmente por mulheres, enquanto que a compra e a venda
dos animais é uma responsabilidade tipicamente masculina.
As mulheres trazem sua importante contribuição para
a segurança alimentar por meio das longas horas que gastam
cuidando dos animais e processando e vendendo os seus produtos.
Análise
de gênero da agricultura urbana em Kampala, Uganda (PDF)
Esse artigo descreve uma pesquisa com 250 agricultores que produzem
alimentos em antigos lixões e em alagados que recebem águas
servidas na periferia de Kampala. Os questionários foram
desenvolvidos com a ajuda das diretrizes do IDRC sobre métodos
de análise de gênero. O estudo busca descrever a distribuição
das atividades e dos recursos, benefícios e riscos da agricultura
urbana conforme o gênero. Ele mostra que o principal benefício
motivador da agricultura urbana em Kampala é a alimentação
e que as mulheres sofrem mais com a falta de segurança com
relação ao acesso e à posse da terra do que
os homens. As mulheres costumam ser empurradas para cultivarem as
terras mais contaminadas, tornando-as - e suas famílias -
mais vulneráveis aos riscos à saúde associados
às práticas agrícolas urbanas em solos contaminados
e usando água poluída.
Gênero
e acesso à terra para agricultura urbana em Kampala, Uganda (PDF)
A agricultura urbana está se tornando uma fonte cada vez
mais importante de renda e de alimentos para a população
urbana de Uganda. As mulheres têm pouco acesso à terra,
como também acontece com os jovens migrantes pobres e marginalizados.
Não existe um marco legal nem político que proteja
os produtores urbanos e especialmente as mulheres. Apesar de alguns
obstáculos culturais, Uganda adaptou ações
afirmativas para melhorar as relações de gênero.
Pressões e promoção nos níveis individual
e organizacional são importantes para melhorar o acesso à
terra e ao microcrédito.
Agricultura
urbana e periurbana na Namíbia (PDF)
Na Namíbia, a urbanização alcançou níveis
explosivos desde a independência, em 1990, paralelamente à
migração em massa das populações rurais
para as áreas urbanas em busca de emprego. Sendo o país
mais seco da África, a base agrícola da Namíbia
é fraca. A maior parte das hortaliças e frutas vendidas
nos centros urbanos da Namíbia é importada da África
do Sul. Apesar dessas desvantagens, atividades intensivas de agricultura
urbana, tanto com fins comerciais quanto de auto-consumo, são
praticadas nos quintais, nas áreas livres maiores, e ao longo
dos rios. Existe pouca informação disponível
sobre essa atividade. Um estudo foi então conduzido para
coletar, sintetizar e analisar toda a informação disponível
sobre duas municipalidades na Namíbia: Windhoek e Oshakati.
Perspectivas
de gênero na agricultura periurbana no Nepal (PDF)
A agricultura periurbana é praticada tradicionalmente no
Nepal. Enquanto que a agricultura rural é predominantemente
orientada para a subsistência, a agricultura dentro e ao redor
das cidades é antes voltada para o mercado urbano. No Nepal
não existem políticas regulando a agricultura periurbana.
Manahara, a área mais baixa do distrito de Bhaktapur, localizado
no vale do Kathmandu, é bem típica. Adequada para
plantios em qualquer época do ano, a terra é cultivada
principalmente para a produção intensiva de hortaliças.
Localizada perto dos maiores centros urbanos, é a maior fonte
de hortaliças perecíveis para a população
da cidade, e os produtores têm fácil acesso a insumos.
Mulheres
piscicultoras nas periferias de Kolkata (PDF)
As áreas alagadas a leste de Kolkata são reconhecidas
como um ecossistema altamente produtivo e gerador de renda e emprego.
Ele ajuda a limpar o meio ambiente da cidade e age como um agente
catalítico para transformar os resíduos orgânicos
urbanos em proteínas, na "AquaZone", com a produção
de hortaliças, frutas, mudas etc. Ali, as mulheres de Bengala
participam ativamente em várias atividades geradoras de renda
para suas famílias. O projeto descrito nesse artigo foi implementado
para desenvolver uma maior compreensão das tendências
em desenvolvimento da piscicultura e suas implicações
para a comunidade de piscicultores periurbanos de Kolkata. Um segundo
objetivo foi investigar uma estratégia correta para fortalecer
a participação efetiva das mulheres. O estudo foi
feito em três sistemas periurbanos diferentes.
Agricultura
urbana, organização familiar e autonomia feminina ao sul da cidade
do México (PDF)
Este artigo é o resumo de uma tese de doutorado desenvolvida
em San Luis Tlaxialtemalco, uma cidade na região de Xochimilco,
na zona sul da Cidade do México, com uma população
de 12.553 habitantes. Muitas microempresas agrícolas têm
se formado na região para produzir hortaliças em estufas.
Isso já se provou ser uma estratégia válida
para as famílias dos produtores gerarem renda, e também
serviu para aumentar a capacidade de decidir e a liberdade de movimentos
das mulheres, desenvolvendo a sua autonomia.
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